Blog Action Day - Entrevista exclusiva com Washington Novaes

Entrevista com Washington Novaes
Nesta entrevista exclusiva por telefone à BlogTV Brasil, Washington Novaes, jornalista e uma das mais importantes vozes internacionais da causa ambiental, nos fala sobre internet, meio ambiente e Blog Action Day.
BlogTV - O Blog Action Day reuniu cerca de quinze mil blogueiros de todo o mundo em um movimento pelo meio ambiente. Nós gostaríamos de saber qual o grau de importância que você atribui a um movimento deste tipo e, de um modo geral, à comunicação via Internet para ampliar a consciência ambiental.
Novaes - Fundamental, todo mundo precisa tomar conhecimento da gravidade da situação, das informações, das possibilidades e do que é preciso fazer em cada área. Então, um movimento como este pode dar uma contribuição importante.

BlogTV - Pensar global e agir local. A blogosfera pode viabilizar essa máxima ambientalista? O que os blogueiros podem fazer efetivamente pela saúde do planeta?
Novaes - Acho que a tarefa mais importante é divulgar com muita intensidade a questão dos limites a que nós estamos submetidos. Não se trata mais apenas de cuidar do meio ambiente, de proteger o meio ambiente, trata-se de não ultrapassar limites que colocam um grave risco para a humanidade, como a questão das mudanças do clima, dos padrões de produção e de consumo que estão além da capacidade de reposição da biosfera planetária. Estas são as questões fundamentais que precisam ser divulgadas muito intensamente para que todas as pessoas saibam e passem a trabalhar para que esses limites não sejam ultrapassados.

BlogTV - Um grupo indígena do Xingu conectou-se recentemente à web. O que pode nos dizer sobre isso e o que representa esse passo para a emancipação e a preservação da cultura indígena?
Novaes - Essa é uma questão muito complexa. Porque as nossas tecnologias, os nossos formatos de comunicação fascinam as culturas indígenas. Mas ao mesmo tempo, eles, enquanto vivem a força da sua cultura, dos seus modos de viver, as suas tradições, não têm como adquirir as nossas tecnologias, porque não há dinheiro nas culturas indígenas. Têm que mudar os seus modos de vida para produzir dinheiro e poder comprar essas tecnologias. Isso está acontecendo em larga escala... Há pessoas, há antropólogos, que acham que nossas tecnologias podem ajudar a preservar essas culturas exatamente por documentá-las, há outros que acham que essa adesão pode levá-las à aculturação, essa é uma questão ainda em aberto.

BlogTV - Você acha mesmo que, como diz o Caetano Veloso em uma de suas composições, o índio é a mais avançada, da mais avançada, das mais
avançadas das tecnologias?
Novaes - Olha, eu não sei se é a mais avançada das tecnologias, mas as culturas indígenas em sua força, preservadas, têm algumas coisas que a nossa cultura deveria prestar atenção. Por exemplo: índio não delega poder. Nas culturas indígenas os chefes não têm poder, não dão ordens. São os grandes representantes da tradição, da cultura, são os grandes mediadores. Mas o índio não dá ordem. O índio nasce e morre sem nunca ter recebido ordem de ninguém. Por outro lado, o índio é auto-suficiente, ele sabe fazer tudo que ele precisa. Fazer a sua casa, fazer a sua roça, caçar e pescar, sabe fazer os seus trabalhos, ter a sua rede. Isso é inimaginável na nossa cultura. Nós deveríamos prestar atenção nisso nas culturas indígenas. Além disso, são nas áreas indígenas que estão as maiores reservas de biodiversidade do Brasil, nós deveríamos estar muito atentos para isso.

BlogTV - Não há soluções estruturais rápidas para frear a "pressão" sobre a Terra e pensando em ações individuais, você poderia citar duas ou três atitudes simples e possíveis de ser adotadas por uma parte da humanidade para reverter o processo ambiental destrutivo que estamos vivendo?
Novaes - Cada pessoa pode contribuir para reduzir a produção de lixo. Nós não precisamos produzir essa quantidade brutal de lixo. Nossos avós, por exemplo, sempre usaram fraldas de pano para bebês. Nós usamos fraldas de plástico, descartáveis. Cada bebê usa cinco, seis fraldas por dia e isso significa mais de mil fraldas por ano. Pode-se também usar energia solar para se esquentar água para o banho. Outro formato, reter água de chuva e usar isso para descarga sanitária. São muitas as possibilidades.









1. Realmente a visão de uma mente como a de Washington Novaes ajuda muito a abrir os olhos de um povo que muitas vezes não enxerga além de poucos centímetros do próprio umbigo. Galera... vamos acabar com a produção do lixo desnecessário! Está mais do que urgente! Abs. Marcone